22º CONGRESSO BRASILEIRO DE ARQUITETOS

  • Um Congresso, muitas gerações​

81 anos de Congresso Brasileiro de Arquitetos

O Congresso Brasileiro de Arquitetos é o principal espaço de debate coletivo da arquitetura e do urbanismo no Brasil. Realizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) desde 1945, o CBA acompanha, interpreta e tensiona os processos de transformação do país, articulando projeto, cidade, cultura, política e sociedade.

Ao longo de mais de oito décadas, o Congresso consolidou-se como um fórum democrático de reflexão crítica e formulação de propostas, reunindo profissionais, estudantes, pesquisadores e agentes públicos em torno dos desafios do espaço habitado brasileiro. Cada edição reflete o seu tempo histórico, sem abrir mão do compromisso com a função social da arquitetura e do urbanismo.

Fortaleza como lugar de debate

Em 2026, o Congresso Brasileiro de Arquitetos retorna a Fortaleza pela terceira vez, após as edições de 1994 e 2014. Mais do que sede, a cidade consolida-se como um lugar recorrente de formulação crítica do CBA, associado a momentos decisivos da trajetória institucional e política da arquitetura brasileira.

Em 1994, Fortaleza acolheu o CBA sob o tema Arquitetura e Cidadania, em um contexto de redemocratização do país e de afirmação do papel social do arquiteto frente às desigualdades urbanas. Já em 2014, a cidade recebeu o primeiro Congresso Brasileiro de Arquitetos realizado após a criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) — conquista histórica resultante de uma luta iniciada em 1979, liderada pelo IAB em articulação com outras entidades da categoria. Na mesma edição, Fortaleza sediou também a 1ª Conferência do CAU, marcando um momento inaugural do novo ciclo institucional da profissão.

Ao sediar novamente o CBA em 2026, Fortaleza reafirma-se como território de continuidade e inflexão do pensamento arquitetônico brasileiro. Em diálogo com seu contexto urbano, social e cultural, a cidade acolhe o 22º CBA como espaço de reflexão crítica sobre os desafios contemporâneos e sobre os (IN) SUSTENTÁVEIS modos de viver nas cidades.

Congresso ao longo dos anos

1945

São Paulo — 1º CBA

A função social dos arquitetos nas cidades e no campo.

1948

Porto Alegre — 2º CBA

Urbanismo e arquitetura – ensino e prática da arquitetura – arquitetura e indústria.

1953

Belo Horizonte — 3º CBA

Interesses profissionais – formação universitária.

1954

São Paulo — 4º CBA

A arquitetura no Brasil e o urbanismo no Brasil.

1957

Recife — 5º CBA

Arquitetura e Urbanismo.

1966

Salvador — 6º CBA

A arquitetura e o meio ambiente.

1968

Belo Horizonte — 7º CBA

Desenvolvimento Urbano – o exercício profissional do arquiteto.

1969

Porto Alegre — 8º CBA

As potencialidades do arquiteto frente ao desenvolvimento da sociedade atual.

1976

São Paulo — 9º CBA

O arquiteto e sua atuação profissional – perspectivas.

1979

Brasília — 10º CBA

Arquitetura brasileira após Brasília.

1982

Salvador — 11º CBA

A gestão democrática da cidade.

1985

Belo Horizonte — 12º CBA

A produção do espaço habitado no Brasil – avaliação e perspectivas.

1991

São Paulo — 13º CBA

Arquitetura, cidade e natureza.

1994

Fortaleza — 14º CBA

Arquitetura e Cidadania.

1997

Curitiba — 15º CBA

O arquiteto no limiar do séc. XXI.

2000

Cuiabá — 16º CBA

500 anos: cenário de ocupação territorial.

2003

Rio de Janeiro — 17º CBA

Arquitetura e urbanismo em face da globalização.

2006

Goiânia — 18º CBA

Arquitetura e urbanismo no contexto do desenvolvimento sustentável.

2010

Recife — 19º CBA

Arquitetura em transição.

2014

Fortaleza — 20º CBA

Identidade e diversidade profissional.

2019

Porto Alegre — 21º CBA

Espaço e Democracia.

2021

Rio de Janeiro — 27º Congresso Mundial de Arquitetos – UIA 2021 (UIA RIO 2021)

Realizado integralmente no Brasil e organizado pelo IAB, o Congresso Mundial reuniu arquitetos de todo o mundo em formato digital, debatendo diversidade, sustentabilidade e justiça espacial em escala global. Um marco internacional da atuação do IAB e da arquitetura brasileira.

2026

Fortaleza — 22º CBA

(IN) SUSTENTÁVEIS modos de viver

Manifesto do 22º Congresso Brasileiro de Arquitetos

(IN) SUSTENTÁVEIS modos de viver

Manifesto do 22º Congresso Brasileiro de Arquitetos

(IN) SUSTENTÁVEIS modos de viver

Vivemos um tempo de exaustão.

Os modos de viver que moldaram as cidades, os territórios e as relações sociais revelam seus limites diante do colapso ambiental, do aprofundamento das desigualdades e da fragilização das instituições democráticas. As cidades concentram as contradições do nosso tempo: produzem riqueza e exclusão, inovação e precariedade, encontro e conflito.

Ao assumir o tema (IN) SUSTENTÁVEIS modos de viver, o 22º Congresso Brasileiro de Arquitetos propõe uma tomada de posição. O prefixo (IN) explicita a fratura: evidencia práticas que se mantêm à custa da degradação dos territórios, da negação de direitos e da naturalização das injustiças sociais. Nomear essa condição é um gesto crítico, necessário e político.

A arquitetura e o urbanismo não são neutros. Produzem espaço, organizam a vida cotidiana e participam ativamente da construção, ou da contestação, das desigualdades. Reconhecer essa condição implica assumir responsabilidades. Implica compreender o projeto, o planejamento e a construção como campos de disputa, atravessados por escolhas éticas, sociais, culturais e ambientais.

Sustentabilidade, aqui, não se restringe ao desempenho técnico nem à incorporação isolada de soluções ambientais. Trata-se de repensar, de forma integrada, os modos de projetar, planejar, construir, educar, preservar e integrar. Trata-se de enfrentar as assimetrias regionais, reconhecer saberes diversos, valorizar a cultura e afirmar o direito à cidade como princípio estruturante.

Desde 1945, o Congresso Brasileiro de Arquitetos tem sido um espaço de debate democrático, resistência e formulação coletiva. Em diferentes contextos históricos, o CBA tensionou consensos, questionou modelos hegemônicos e contribuiu para a construção de alternativas. Em 2026, esse compromisso se renova diante de urgências inéditas e desafios ampliados.

Fortaleza, com suas contradições urbanas, sociais e ambientais, projeta-se como território simbólico dessa reflexão. Não como cenário, mas como campo vivo de perguntas, conflitos e possibilidades. É a partir dessas realidades concretas que a arquitetura é convocada a imaginar e construir outros horizontes.

Outros modos de viver não apenas são possíveis. São necessários.

Cabe à arquitetura, em diálogo com a sociedade, não naturalizar o insustentável e contribuir ativamente para a construção de cidades mais justas, inclusivas e ambientalmente responsáveis.

Eixos do

22º Congresso Brasileiro de Arquitetos

Os eixos do CBA 2026 organizam o debate a partir de campos fundamentais da prática arquitetônica e urbanística, propondo reflexões críticas sobre os (IN) SUSTENTÁVEIS modos de viver.

Como projetar em um contexto de escassez ambiental, desigualdade social e urgência climática?

Este eixo questiona os fundamentos do projeto contemporâneo, problematizando métodos, escalas, linguagens e responsabilidades. Discute o projeto como prática cultural e política.

Que planejamento é possível diante de cidades marcadas por desigualdades históricas e conflitos territoriais?

O eixo aborda o planejamento urbano e regional como instrumento de mediação entre interesses públicos e privados, enfrentando temas como governança, participação social e direito à cidade.

Como construir reduzindo impactos ambientais e sociais, sem dissociar técnica e cultura?

Este eixo discute sistemas construtivos, materiais, tecnologias e processos produtivos a partir de uma perspectiva crítica, valorizando saberes locais e inovação responsável.

Que formação responde aos desafios do presente e do futuro?

O eixo problematiza o ensino da arquitetura e do urbanismo, discutindo currículos, metodologias, diversidade regional e o papel das instituições de ensino.

Preservar o quê, para quem e de que maneira?

Amplia o debate sobre patrimônio cultural, natural e construído, compreendendo a preservação como prática ativa ligada à memória, ao uso social do espaço e à sustentabilidade.

Como integrar territórios, saberes, corpos e modos de existir historicamente excluídos?

O eixo aborda políticas e práticas que enfrentam desigualdades sociais, étnico-raciais, de gênero e territoriais, reconhecendo povos originários e comunidades tradicionais.

Os eixos do CBA 2026 não apontam respostas prontas. Propõem perguntas urgentes, atravessadas por conflitos reais, que exigem reflexão crítica, escuta e ação coletiva.

Liberal de Castro

PATRONO DO 22º CBA

HOMENAGEM

Liberal de Castro

Patrono do 22º Congresso Brasileiro de Arquitetos, Liberal de Castro foi arquiteto, professor e intelectual cuja trajetória está profundamente associada à consolidação da arquitetura moderna no Ceará e à formação crítica de gerações de arquitetas e arquitetos.

Fundador da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Ceará (UFC) e um dos fundadores do IAB-CE, teve papel decisivo na estruturação do ensino e da prática profissional no estado, articulando projeto, reflexão teórica e compromisso com a cidade. Sua atuação acadêmica e institucional contribuiu para afirmar a arquitetura como campo cultural, técnico e político, atento às especificidades do território nordestino.

Além de sua produção arquitetônica, destacou-se como pesquisador da história urbana e do patrimônio, dedicando-se à leitura crítica da formação de Fortaleza e da arquitetura brasileira. Sua obra intelectual permanece como referência fundamental para o pensamento arquitetônico contemporâneo.

Ao homenageá-lo, o 22º CBA reconhece uma trajetória exemplar, que articula ensino, projeto, pesquisa e vida pública, reafirmando valores que atravessam a história do Congresso Brasileiro de Arquitetos e do Instituto de Arquitetos do Brasil.

REALIZAÇÃO

Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB)

O Congresso Brasileiro de Arquitetos é uma realização do Instituto de Arquitetos do Brasil, entidade nacional fundada em 1921 e referência histórica na defesa da arquitetura, do urbanismo, da cultura e da democracia no país. Em 2026, o IAB completa 105 anos de atuação, mantendo seu compromisso com o interesse público e com a função social da profissão.

O CBA é promovido pelo IAB e organizado a partir de sua estrutura federativa. A cada edição, a Direção Nacional do IAB, mediante candidatura apresentada e aprovada pelo Conselho Superior (COSU), designa um departamento do Instituto para assumir a organização integral do Congresso. Cabe ao departamento escolhido a concepção, a coordenação e a realização do evento em todas as suas dimensões, em diálogo permanente com a instância nacional.

Esse modelo expressa um dos princípios centrais do IAB: a valorização dos departamentos como espaços de formulação, ação e enraizamento territorial. É a partir deles que o Instituto se conecta às realidades locais, mobiliza arquitetas e arquitetos, constrói agendas públicas e traduz, no território, os debates nacionais da arquitetura e do urbanismo.

Desde sua criação, o IAB atua como sujeito político e cultural da arquitetura brasileira. Ao longo de mais de um século, a entidade teve papel decisivo em debates estruturantes sobre formação profissional, política urbana, patrimônio, habitação, planejamento territorial e democracia, contribuindo para conquistas institucionais e legais que marcaram a trajetória do país e da profissão.

Ao realizar o 22º Congresso Brasileiro de Arquitetos, o IAB reafirma sua vocação histórica de promover o debate democrático, a construção coletiva e o enfrentamento crítico dos desafios do presente, fortalecendo a arquitetura como prática comprometida com a sociedade e com o futuro das cidades brasileiras.

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