Manifesto do 22º Congresso Brasileiro de Arquitetos

  • (IN) SUSTENTÁVEIS modos de viver

Vivemos um tempo de exaustão.

Os modos de viver que moldaram as cidades, os territórios e as relações sociais revelam seus limites diante do colapso ambiental, do aprofundamento das desigualdades e da fragilização das instituições democráticas. As cidades concentram as contradições do nosso tempo: produzem riqueza e exclusão, inovação e precariedade, encontro e conflito.

Ao assumir o tema (IN) SUSTENTÁVEIS modos de viver, o 22º Congresso Brasileiro de Arquitetos propõe uma tomada de posição. O prefixo (IN) explicita a fratura: evidencia práticas que se mantêm à custa da degradação dos territórios, da negação de direitos e da naturalização das injustiças sociais. Nomear essa condição é um gesto crítico, necessário e político.

A arquitetura e o urbanismo não são neutros. Produzem espaço, organizam a vida cotidiana e participam ativamente da construção, ou da contestação, das desigualdades. Reconhecer essa condição implica assumir responsabilidades. Implica compreender o projeto, o planejamento e a construção como campos de disputa, atravessados por escolhas éticas, sociais, culturais e ambientais.

Sustentabilidade, aqui, não se restringe ao desempenho técnico nem à incorporação isolada de soluções ambientais. Trata-se de repensar, de forma integrada, os modos de projetar, planejar, construir, educar, preservar e integrar. Trata-se de enfrentar as assimetrias regionais, reconhecer saberes diversos, valorizar a cultura e afirmar o direito à cidade como princípio estruturante.

Desde 1945, o Congresso Brasileiro de Arquitetos tem sido um espaço de debate democrático, resistência e formulação coletiva. Em diferentes contextos históricos, o CBA tensionou consensos, questionou modelos hegemônicos e contribuiu para a construção de alternativas. Em 2026, esse compromisso se renova diante de urgências inéditas e desafios ampliados.

Fortaleza, com suas contradições urbanas, sociais e ambientais, projeta-se como território simbólico dessa reflexão. Não como cenário, mas como campo vivo de perguntas, conflitos e possibilidades. É a partir dessas realidades concretas que a arquitetura é convocada a imaginar e construir outros horizontes.

Outros modos de viver não apenas são possíveis. São necessários.

Cabe à arquitetura, em diálogo com a sociedade, não naturalizar o insustentável e contribuir ativamente para a construção de cidades mais justas, inclusivas e ambientalmente responsáveis.

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